Você já parou para pensar na quantidade de “lixo” que geramos por dia?

Segundo a Abrelpe (Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais), em 2018 no Brasil foram gerados mais de 216 mil toneladas de resíduos sólidos urbanos por dia (aproximadamente 1 kg por pessoa). Desse total, 40,5% foram para lixões ou aterros controlados,  locais com alto risco de contaminação às pessoas e ao meio ambiente.

Além disso, os recursos utilizados para a disposição final e transporte de resíduos sólidos em aterros sanitários são bastante expressivos para  orçamento das prefeituras das cidades brasileiras.

Mas será que todo o lixo que produzimos precisa ser coletado e destinado a esses locais?

A resposta é não. Grande parte do lixo que produzimos em casa não precisa ter esse destino.

Dentre muitas soluções existentes, hoje o foco será na compostagem doméstica + 5 formas diferentes que ela pode ser feita.

O que é compostagem?

A compostagem é uma técnica desenvolvida que acelera o processo de decomposição dos resíduos orgânicos que, com uma ação combinada de organismos e microorganismos, são transformados em composto orgânico. Esse produto resultante, também conhecido como adubo, é rico em nutrientes e pode ser utilizado em jardins e hortas.

Esse processo pode ser realizado em pequena, média e grande escala, com a famosa composteira. Local onde a “mágica” acontece!

Materiais usados na compostagem

Existem duas classificações de materiais usados na compostagem: verdes e marrons.

  • Verdes (ricos em nitrogênio):  Derivados de frutas, verduras, legumes. Necessários para o crescimento de microorganismos.
  • Marrons (ricos em carbono): Derivados de guardanapos, palitos, serragem, folhas secas. Fornecem a matéria orgânica e a energia para a compostagem

Observação: alimentos gordurosos, cozidos, ácidos, carnes, ossos e óleos, não são recomendados, pois podem desequilibrar o sistema e/ou atrair animais indesejados.

Os benefícios da compostagem

  • Diminui a quantidade de lixo gerado nas residências e, consequentemente a quantidade de lixo destinado aos lixões e aterros sanitários
  • Aproveitamento dos resíduos orgânicos e pensamento sustentável
  • Proteção do solo contra a degradação;
  • Melhoria das condições ambientais e da saúde da população;
  • Produção gratuita e natural de adubo para hortas e jardins

5 tipos de compostagem doméstica!

Por onde começar?

O primeiro passo é escolher o melhor tipo de compostagem para sua realidade. Não existe uma regra, mas cada método tem alguns detalhes que precisam ser levados em conta:

1. Compostagem a céu aberto

Consiste na divisão de no mínimo duas áreas com abertura frontal e superior onde os materiais verde (grama e folhas frescas e restos vegetais),  e marrom (grama e folhas secas, serragem e galhos pequenos) serão adicionados e misturados, mais ou menos na mesma proporção, para não desequilibrar o sistema. Pode ser construída com pallets, ripas de madeira, bambu e grades, por exemplo.

Cuidados necessários:

  • Mexer o composto pelo menos uma vez por semana
  • Mantê-lo sempre úmido, se necessário com regas
  • Cobrir em caso de muita chuva, porque também não pode estar muito molhado
  • Não colocar alimentos cozidos, gordurosos, laticínios e carnes

Se esses cuidados não forem tomados pode dar mal cheiro, atrair moscas, ratos e outros animais.

Em qual situação é recomendada?

Sistema recomendado para quem tem bastante espaço no jardim, tempo para cuidar e não se importa de tê-lo visível.

Imagem 1: compostagem a céu aberto. Fonte: Direct Compost Solutions.

2. Método Lages de compostagem

Esse método, criado pelo professor Germano Güttler, consiste basicamente em depositar os resíduos orgânicos diretamente no solo e cobri-los com grama/folhas secas e/ou serragem. É simples, prático e não precisa de nenhum investimento financeiro, porém apesar de pouca manutenção, exige certos cuidados e necessidades:

Cuidados necessários:

  • Fazer pequenos furos pelo menos uma vez por semana para entrada de ar no sistema.
  • Sempre cobrir bem os resíduos orgânicos para não dar cheiro e/ou insetos
  • Se os restos vegetais não forem cortados em pedaços pequenos, a decomposição pode levar mais tempo para acontecer.
  • Os resíduos podem ser facilmente desenterrados por cachorros, gatos, etc
  • Alimentos cozidos, carnes e laticínios não são recomendados para não atrair animais indesejados.

Depois de aproximadamente 30 dias, mudas de plantas já podem ser plantadas em cima da pilha.

Em qual situação é recomendada?

Sistema recomendado para quem quer iniciar a compostagem, tem espaço no jardim ou um canteiro (não precisa ser grande) e não quer investir financeiramente e/ou gastar muito tempo cuidando.

Imagem 2: exemplo método lages. Fonte: UDESC.

3. Compostagem no tambor

Parecido com a compostagem a céu aberto, a principal diferença é que  esse método é elevado do solo. São necessários no mínimo 2 tambores, preferencialmente de plástico, onde serão adicionados os materiais verde e marrom e remexidos pelo menos uma vez por semana.

Cuidados necessários/características:

  • Não contém minhocas, pois o calor do sistema as matariam
  • Os tambores precisam ter furos para aeração.
  • Como os métodos citados anteriormente, tem restrições dos alimentos que podem ser adicionados
  • Pode atrair moscas
  • É mais suscetível ao mal cheiro, por ser mais difícil manter o sistema equilibrado
  • Depois de pronto precisa ser esvaziado e o composto despejado em algum lugar
  • A compostagem é um pouco mais lenta. Por esse motivo é recomendado o mínimo de 2 tambores. Um deles é preenchido enquanto o outro que está cheio “descansa” até o composto ficar pronto.

Para muitas pessoas é uma ótima opção, possui várias formas e tamanhos e pode ser acrescido um mecanismo que facilita a rotação.

Em qual situação é recomendada?

Sistema recomendado para quem tem espaço no jardim, tempo e energia para cuidar e não se importa de tê-lo visível.

Imagem 3: compostagem em tambor. Fonte: Direct Compost Solutions.

4. Vermicompostagem 

Nesse sistema, a compostagem é acelerada por minhocas californianas. Geralmente é feita em no mínimo três recipientes plásticos.

  • O primeiro para coletar o líquido produzido pela compostagem;
  • o segundo para deixar o recipiente que já está cheio “descansando” até o composto ficar pronto;
  •  e o terceiro para adicionar os materiais marrom e verde no dia a dia
Imagem 4: vermicompostagem. Fonte: Portal Rondônia.

Precisam ser mantidos longe do sol, chuva e locais muito frios.

Cuidados necessários:

  • Os recipientes precisam ser feitos (ótima opção de reciclagem de potes de cloro, por exemplo, para quem tem piscina) ou comprados.
  • Temperaturas elevadas ou muito baixas podem matar as minhocas.
  • Se ficar muito tempo sem colocar resíduos orgânicos, as minhocas ficam sem alimento e também morrem.
  • Restos vegetais devem ser cortados em pedaços pequenos para acelerar a compostagem
  • Alimentos ácidos, cozidos, gordurosos, carnes, ossos etc. não são recomendados
  • É necessário mexer ao menos uma vez por semana para manter a aeração

O líquido produzido é rico em nutrientes  e, diluído em água, pode ser utilizado para regar hortas e jardins. Para quem vive em apartamento, pode ser colocado no jardim do prédio, dado a um amigo, doado ou despejado em um terreno.

Em qual situação é recomendada?

Sistema recomendado para quem vive em casa ou apartamento, pela praticidade e facilidade tanto de fazer quanto de cuidar. Particularmente meu preferido.

5. Compostagem elétrica

Como o nome já diz, esse sistema é movido a energia elétrica. Possui menos restrições quanto aos resíduos que podem ser adicionados e não necessita o acréscimo do material marrom. O processo é muito mais rápido e prático, porém o custo é mais elevado.

Cuidados necessários/características:

  • O composto fica pronto em 24 horas
  • Exige limpeza e manutenção
  • Não é necessário o acréscimo de material marrom
  • Alguns requerem a adição de um composto especial
  • Gasta energia já que precisa ficar ligado sempre
  • Possui diferentes tamanhos e fica dentro de casa.

Em qual situação é recomendada?

Sistema recomendado para quem busca agilidade, praticidade e não se importa em gastar um pouco mais para isso.

Imagem 5: compostagem elétrica. Fonte: Ecycle.

Depois de escolher a melhor opção é só começar a “brincadeira”.

Vale lembrar que é natural que alguma coisa de errado, principalmente no início. O segredo é não desanimar e persistir.

 “Consciência ecológica sem ação transformadora ajuda a manter a sociedade tal qual ela se encontra”. (PHILIPPI JR; PELICIONI, 2005, p. 6).

Texto escrito por:

Fontes:
Abrelpe
Embrapa
Direct Compost Solutions
Ecycle
Udesc
PORTELLA, Márcio Oliveira; RIBEIRO, José Cláudio Junqueira. Aterros sanitários: aspectos gerais e destino final dos resíduos. Revista Direito Ambiental e sociedade, v. 4, n.1, p. 115-134, 2014.